quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Kinjite, Rapelay, e o metrô de Tóquio

A arte imitando a vida, o lado negro da vida!
Sidney Crivelari
16/12/2009
Lendo ontem (15) a notícia publicada na Folha on-line (Trens no Japão terão câmeras para Combater "mão boba"), me veio à mente a cena do filme Kinjite – Desejos Proibidos, (Kinjite - Forbidden Subjects) 1989 (EUA), Direção: J. Lee Thompson. No filme, um executivo japonês vai a trabalho para Los Angeles com sua família. Em uma cena, ele esta sentado em um ônibus lotado e ao seu lado em pé, duas estudantes adolescentes conversando e brincando. Sonolento ele começar a relembrar de uma cena de abuso que presenciou no metrô japonês, fantasiando ele parte para a mesma ação. A diferença é que a japonesa ficou em silêncio, enquanto a americana fez o maior auê! 
Por infelicidade do destino, a filha do executivo acaba sequestrada por um cafetão que está prostituindo jovens inocentes, além de deixá-las viciadas em drogas. O detetive responsável pelo caso é o pai da menina que o japonês abusou no ônibus.
Ele está totalmente transtornado, com muita raiva pelo o que ocorreu com a sua filha, expressando seu ódio aos orientais. Imaginem a “caca!”
Já no Japão, nos dias atuais, as mãos bobas dos japoneses continuam à solta, mas diferentemente do filme Kinjite, milhares de mulheres estão apresentando queixas.
Só em Tóquio, a polícia registra a cada ano cerca de 1.500 queixas de mulheres que se dizem molestadas sexualmente no transporte público. Uma pesquisa indicou que quatro em cinco mulheres afirmam já terem sido molestadas, isto representa 80%, o que levou algumas companhias a instalar vagões exclusivamente femininos.
Para combater este tipo de crime, o sistema de monitoramento em vídeo será instalado no transporte público ferroviário de uma companhia, a East Japan Railway, na linha Saikyo, conhecida pela presença de molestadores.
Jogo à venda nas ruas e na internet simula estupros, pedofilia e aborto
Que ironia, no dia 24 de março de 2009 o jornal O Estado de S. Paulo publicou uma matéria intitulada: Jogo à venda nas ruas e na internet simula estupros, pedofilia e aborto.  Jogador ainda precisa fotografar vítimas nuas e chorando e obrigá-las a abortar para conseguir vencer. A matéria de autoria do Jornalista Renato Machado, fala sobre o jogo japonês para computador Rapelay. Ele inicia a matéria:
“A história começa quando um jogador encontra a mulher em uma estação de metrô e começa a molestá-la. Os estupros acontecem primeiro no trem e depois em um parque da cidade. Se o autor conseguir fotografar a vítima nua e chorando, ele consegue acesso às duas filhas e também as violenta e obriga todas a abortar. Não, não se trata de mais um caso de violência das ruas. Esse é o enredo e objetivo do jogo japonês de computador Rapelay, que está criando polêmica no mundo todo e é vendido livremente na internet e em algumas ruas de São Paulo.” É apenas um jogo? É apenas fantasia? Tá bom...Ô conversa pra boi dormir! Vejam o que anda acontecendo no Japão atualmente...

“A reportagem do Estado encontrou o jogo nos catálogos de pelo menos cinco vendedores ambulantes que trabalham na região das Ruas Santa Ifigênia e Timbiras, no centro de São Paulo...” “Os jogos podem facilmente ser baixados pela internet, em sites de compartilhamento.” E continua:“Além de ter como foco a violência sexual, o jogo também choca ao mostrar casos de pedofilia, pois uma das vítimas usa um uniforme de estudante colegial e a outra tem 10 anos de idade, segundo as resenhas publicadas sobre o jogo. O estupro contra a segunda é feito em um quarto com ursos de pelúcia. Após elas engravidarem, o criminoso tem de convencê-las a abortar, ou será jogado por elas nos trilhos do trem.”
Vejam o nível do jogo! Hoje se você digitar Rapelay no Youtube encontrará vários vídeos, e veja que não tem nada de normal neles.
Game premia estupro e pedofilia

No site do Estadão no dia 06 de Abril de 2009, na coluna opinião, Carlos Alberto Di Franco, professor de Ética e doutor em Comunicação pela Universidade de Navarra, comentando sobre a matéria alerta:
“Atualmente, graças ao impacto da internet, qualquer criança pode ter acesso a conteúdos corrosivos. Não é preciso ser psicólogo para que se possam prever as distorções afetivas, psíquicas e emocionais dessa perversa exposição virtual. Psiquiatras ouvidos pela jornalista Adriana Carranca, também repórter do Estado, foram enfáticos: os efeitos da exposição à violência são devastadores. A coordenadora da Psiquiatria do Hospital Albert Einstein, Ana Luiza Simões Camargo, explica que os jogos provocam uma certa permissividade em relação a situações de violência. "Aquilo que é horroroso se torna banal e até divertido", adverte a especialista.”
“A demissão do exercício da paternidade traz consequências que ultrapassam, de longe, o âmbito familiar. A ausência de limites sempre acaba mal. Frequentemente, com o apoio das próprias mães, inúmeras crianças estão sendo condenadas prematuramente a uma vida "adulta" e sórdida. Privadas da infância, elas estão se comportando, vestindo, consumindo e falando como adultos. A inocência infantil está sendo impiedosamente banida. Por isso, a multiplicação dos casos de pedofilia e abuso sexual não deve surpreender ninguém. Trata-se, na verdade, das consequências da escalada da erotização infantil e da impunidade do criminoso e lucrativo mercado da pornografia.”
Mangás e Hentais

Este assunto me levou a refletir sobre um produto genuinamente japonês, além da alta tecnologia, que é o chamado mangá e seu parente erótico o hentai. Vamos nos ater ao hentai que é um tipo de desenho pornográfico japonês. A maioria dos hentais tem estilo parecido, como os mangás (histórias em quadrinhos japonesas que dão origem aos Animes) só que com teor erótico (os mangás a meu ver também tem um leve apelo erótico).
Os hentais são na sua maioria com cenas de meninas adolescentes vestidas com roupas escolares, é comum cenas de estupro, violência sexual, sexo com animais, semi-humanos e todo tipo de perversão.
Segundo a Wikipédia “No Oriente, a palavra hentai significa metamorfose, pornografia ou perversão sexual; nunca é usado para referir à atividade sexual "normal", nem qualquer entretenimento de sexo explícito”.
Será que o que está ocorrendo no Japão é uma revolução de costumes de um povo que sempre teve regras rígidas de tradição e cultura?
Bom, pelo menos agora, as mulheres estão podendo se defender e procurando seus direitos, mesmo em uma sociedade que é reconhecida como sendo extremamente machista.
As perguntas que ficam no ar são:

Qual é a linha que separa a fantasia da perversão?

Esta linha é perceptível ou a certeza de impunidade a faz desaparecer?
 Essas pessoas presas por pedofilia, assedio, perceberam a transposição dos seus limites a essa linha ou foi o excesso de confiança que as conduziu?
 

Imagino que está linha seja muito tênue, imperceptível...
E assim vemos como a arte imita o lado negro da vida!
Opa ia me esquecendo, se você não assistiu ao filme Kinjite, é fã do super astro de ação Charles Bronson (Desejo de Matar), gosta de bastante ação, pancadaria e um roteiro criativo, fica a dica de um bom filme (para a época).
Você pode ver o trailer aqui

Veja as notícias completas abordadas neste texto:

Folha on-line: Trens no Japão terão câmeras para combater "mão boba"
O Estado de São Paulo: Jogo à venda nas ruas e na internet simula estupros, pedofilia e aborto e Game premia estupro e pedofilia
Wikipédia

Carlos Alberto Di Franco, mencionado acima é diretor do Master em Jornalismo (www.masteremjornalismo.org.br), professor de Ética e doutor em Comunicação pela Universidade de Navarra, é diretor da Di Franco - Consultoria em Estratégia de Mídia (www.consultoradifranco.com). E-mail: difranco@iics.org.br

Abraços e até a próxima

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